Pular para o conteúdo principal

Quando você vai escrever um livro?

Acho que escuto essa pergunta há bastante tempo e minha resposta sempre era a mesma: tô tentando escrever, qualquer hora publico algo em algum lugar. Mas, ainda que tenha repetido essa resposta muitas vezes, nunca publiquei. Comecei e larguei histórias inúmeras vezes nos últimos anos, principalmente porque eu não conseguia me comprometer com essa coisa de escrever um livro

É complicado quando você ainda não consegue se enxergar como uma escritora, muito menos encarar a escrita como algo profissional. Acredito que ainda tenho um longo caminho a percorrer até parar de pensar em escrever como uma simples paixão

Sei também que o caminho de me ver como escritora vai ser difícil porque eu luto diariamente com a sensação de ser uma fraude em tudo o que faço na vida - seja escrevendo ou como comunicadora (esse texto publicado no site Lugar de Mulher explica um pouco melhor o que é isso). 

Apesar de amar escrever e escrever, basicamente, todos os dias, sempre que alguém elogia algum texto meu, tenho essa mania de o reler e achar uma merda. Então sigo o mesmo processo: primeiro, me arrependo de ter publicado o texto; depois, tenho vontade de deletar o blog e, em seguida, de parar de escrever de vez. É difícil explicar esse processo e todos esses sentimentos porque muitas pessoas podem pensar que tudo isso é só uma forma de querer chamar atenção e atrair mais elogios, como uma forma de reafirmar o ego. Mas não é isso. 

Obviamente, publico textos na Internet porque gosto que me leiam e gosto de saber as opiniões de pessoas sobre o que foi escrito. O problema é que tenho esse medo constante e tão grande do fracasso que não consigo enxergar meu próprio trabalho com um olhar sincero - é como se eu buscasse meus próprios defeitos para que o fracasso não consiga me invadir de forma surpreendente. É algo bem além do olhar crítico, porque eu sei que é exagerado, mas não consigo controlar. 

Acontece que esse ano eu resolvi lutar contra tudo isso. Resolvi lutar contra a tendência de largar histórias, com o olhar exagerado em torno do meu próprio trabalho e com a sensação de que sou uma fraude ambulante. Mais: cheguei a comentar no twitter (me segue lá: @kahrosa) que publicaria meu primeiro livro no Wattpad em 2017. Tornar isso oficial aqui é só uma forma de me comprometer. Então fica o aviso: em fevereiro (data a confirmar), começo a publicar minha história por lá. 

Aviso aqui assim que isso acontecer. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A história do fim de uma amizade

Você sentiu falta. Ligou, procurou, correu atrás. É estranho que isso tenha acontecido depois de tanto tempo. É estranho que tenha acontecido quando a alegria acabou, o namoro acabou, aquela sua maré ótima acabou. É estranho que você tenha buscado o colo e não a comemoração. Você sentiu falta, e eu queria que isso tivesse acontecido antes. Sentiu falta, e eu queria que eu voltasse a me importar com isso. 
Você veio, me abraçou, e teve um abismo enorme entre nossos dois corpos. A gente não soube o que falar, não soube até onde podia ir uma com a outra, não soube que novidades contar, não soube nada. Rimos aqui, ali, falamos aquele superficial que falamos com uma colega qualquer e depois nos perdemos em um silêncio que durou minutos, mas pareceu durar uma vida. 
Durou uma vida. Nossa amizade, tantos anos de risadas, de abraços, de choros, de lágrimas. E por isso é quase desumano soltar a mão de alguém que esteve com a mão entrelaçada na minha durante todo esse tempo. Mas acredito que nos …

Querido namorado da minha ex-melhor amiga,

Ela chorou durante uma semana quando o primeiro cara quebrou o coração dela. E a gente passou o fim de semana vendo Diário de Uma Paixão e Um Amor Pra Recordar por vezes seguidas. A gente comeu brigadeiro, e tomou sorvete, e eu dei colo, e eu ouvi e limpei as lágrimas. Você não viu, porque você não tava lá, mas eu tava. 
Ela sofreu para escolher que faculdade iria fazer. E me fez ir a palestras e cursos com ela, mesmo que eu não estivesse interessada em nada daquilo. E me fez saber um pouco mais sobre as profissões que tava considerando. E pediu minha opinião milhões de vezes. E só decidiu o que iria prestar no vestibular aos quarenta e cinco do segundo tempo. Você não ficou nervoso com a ansiedade de ver se ela tinha passado na faculdade pública, mas eu fiquei. Porque você não tava lá, e eu tava. 
Ela conheceu um monte de babacas nos anos seguintes. E algumas vezes chorou, algumas vezes bebeu, algumas vezes disse que nunca mais ia ficar com cara nenhum. Algumas vezes ela só dormiu com …