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Slow down, you crazy child

Outro dia, recebi um e-mail de uma leitora antiga, que acompanha o blog há anos. Entre uma frase e outra, ela me jogou um questionamento: você abandonou o blog? Minha primeira reação foi pensar sim. Porque há tempos eu estava me sentindo culpada por não postar aqui, e até pior, por sequer acessar o blog para ver se o domínio ainda estava no ar.

Meu último post aqui foi no dia 1 de março. Meu último texto, de fato, foi em janeiro. Naquela época, eu ainda estava animada para publicar bastante por aqui, manter newsletter, fazer resenha, atualizar a página do Facebook. Aquelas metas que você sempre acha que vai cumprir quando começa um novo ano. 

Mas a vida foi um pouquinho mais difícil do que eu estava imaginando nestes primeiros três meses de dois mil e dezessete. Entre uma porrada e outra (no emocional, na vida financeira, na vida familiar etc), ainda me vi tendo que operar, me recuperar, sobrecarregada no trabalho e exausta emocionalmente. Eu abandonei o blog por um período porque eu simplesmente não tinha vontade de vir aqui. Eu não tinha vontade de escrever qualquer coisa, quando por dentro eu tava procurando um silêncio que não conseguia encontrar. 

É difícil admitir que você falhou. Mas admitir que eu falhei em cumprir o que tava me prometendo é uma forma de entender o seguinte: eu não tenho que abraçar o mundo de uma vez só. Tudo bem eu fazer as coisas em outros ritmos. Não tenho que ficar me comparando a ninguém, nem tentando fazer de tudo só porque vejo que outras pessoas conseguem fazer. De verdade, continuar assim só ia me deixar ainda pior. 

Enquanto eu tava me segurando da cirurgia, a Paula Toledo, que escreve às vezes aqui para o blog, me mandou no meio de uma conversa no whatsapp: slow down, you crazy child. É um trecho de uma música do Billy Joel que nós duas amamos (e que, inclusive, irei tatuar a qualquer momento). E foi quando ela me mandou isso que eu me toquei que podia desacelerar e tudo bem. Acontece. 

Uma foto que claramente mostra a coisa das "tentativas frustradas"

Então este post, na verdade, é um pedido de desculpas, mas também uma explicação que não consigo fazer de tudo e não vou me forçar a fazer. Em fevereiro, como eu tinha dito por aqui, comecei a escrever um livro lá no Wattpad. Posto semanalmente e ficaria muito feliz se vocês, leitores, aparecessem por lá também para ler, comentar, dar suas opiniões. Também continuo escrevendo uma vez por mês lá no Entre Todas as Coisas, blog do Daniel Bovolento que colaboro. 

Vou voltando aqui aos poucos, no meu tempo, quando conseguir encaixar os posts do blog no meu dia a dia novamente. Quanto aos leitores fieis, aqueles que sei que entram aqui com frequência, que não me abandonam apesar do blog abandonado, meu muito obrigada. Vocês são incríveis e se eu penso em voltar a aparecer por aqui é sempre porque sei que pelo menos um de vocês vai ler meu post. De verdade, sou eternamente grata por isto. 

E se quiserem saber de mim, ando por aí em quase todas as redes sociais e adoro receber mensagens de vocês. Vamos conversar mais sobre o que querem ver aqui, sobre os blogs de vocês, o que andam lendo e tudo mais!

Instagram: @kahrosawho
Twitter: @kahrosa

Livro que estou escrevendo no Wattpad: As Coisas Que Eu Não Esqueci

Sinopse: Hayley se recorda de pouca coisa sobre o seu passado. Ela não se lembra direito daquela noite em que o carro que sua mãe dirigia saiu da estrada e capotou. Nem consegue lembrar de si mesma fechando os olhos antes de tudo acontecer. As brincadeiras com Lily são apenas flashes de lembranças - se não fossem as fotos, talvez a garota chegasse a duvidar que a irmã gêmea realmente existiu. Aliás, talvez chegasse até mesmo a duvidar que um dia fez parte de uma família feliz - ou de que foi amada. 

Por outro lado, há uma lista de tudo o que Hayley jamais consegue esquecer. Como ter sido deixada sozinha em um orfanato aos cinco anos de idade. Ou ter ficado sem falar por mais de um ano depois daquele acidente. De todos os pesadelos e as vezes em que acordou no meio da noite, sem ninguém para acalmá-la. Ou do fato de que, se pudesse escolher, preferia viver nas histórias de todos os livros que lê a encarar a própria realidade. 

Mas há algo em especial que a vida nunca deixou que Hayley esquecesse: algumas dores nunca vão embora. E sobreviver ao passado, às vezes, pode ser uma tarefa bem difícil. Principalmente quando ele resolve se tornar presente outra vez.

Comentários

  1. Miga sua louca, tem falha nenhuma por aqui não. Todo mundo sabe, todo mundo entende, tá todo mundo igual. Orgulho de vc miga. <3

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  2. Volta no seu tempo, permaneceremos aqui, esperando você voltar.

    <3

    ResponderExcluir
  3. Flor, acompanho o blog a anos, AMOO. Porém não se culpe, a vida é um enorme buraco negro, no qual achamos que temos um certo controle e na real, não sabemos nada. Em um segundo tudo muda, os planos se esvaiam em nossas mãos, como se não fossemos capazes de segura-los e falar para nos mesmas, AGORA É A HORA!
    Tudo tem seu tempo, o universo conspira a favor, mesmo que tudo pareça ao contrario.

    Desejo toda sorte, saúde e amor do mundo pra você!
    Ah, por sinal, teu livro está fodaaa <3 AINDA ESTOU LENDO, MAIS JÁ AMANDO A HISTÓRIA <3 Parabéns!

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