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Mostrando postagens de Agosto, 2017

A poesia das nossas conversas de travesseiros

Tenho que ir. Não, fica. Amanhã acordo cedo. Eu te acordo então, já até coloco o despertador. A gente vai perder a hora. Se você for, a gente perde também. Perde o quê? Sei lá, acho que tudo; tenho medo de, se você for embora de novo, a gente se perder de vez.

(...)

Você mudou o colchão. É, aquele já tava velho. Mas já tinha o formato do meu corpo. Não tinha mais, já tinha sumido. Já? Já – é o que acontece quando a gente vai embora da vida das pessoas: nossos rastros vão desaparecendo. Ah.

(...)

Eu desapareci? O quê? Eu desapareci da sua vida? Quase. Hm. Mas você tá aqui agora. É, tô aqui agora.

(...)

Você cortou o cabelo. Cortei, eu queria te esquecer. O que eu tenho a ver com o seu cabelo? Nada – ou tudo; sei lá, eu queria parar de ser aquela pessoa que eu era. O que tinha de errado com a pessoa que você era? É que ela amava você.

(...) 

O que a gente tá fazendo? Você sabe. Não, digo, o que a gente tá fazendo; já tinha acabado. Não tinha. Você me disse que se eu fosse embora, você ia me esq…