SOBRE MIM


Não gosto de escrever autobiografias. Nunca sei o que falar, como me apresentar, o que é interessante dizer. Normalmente, para ter alguma ideia, olho o perfil de outras pessoas em outros sites, blogs, jornais. Gente sempre muitíssimo interessante. Ótimos profissionais, inovadores, empreendedores, criativos. Galera de sucesso mesmo. E aí penso no que eu deveria colocar na minha autobiografia. E travo.

Apresentar-se aos leitores é mais ou menos como se apresentar para um pretendente. Você não quer que, de cara, ele já saiba todos os seus defeitos. Aquelas manias chatas ou os motivos pelos quais você acabou aquele seu último namoro. Melhor falar das coisas legais que você já fez: as viagens fascinantes, os prêmios que ganhou durante a faculdade, os cursos que concluiu. Deixa para depois as neuras, as inseguranças, as chatices de domingo à tarde.

Para você me admirar, te conto minhas vitórias. Os meus pódios, as minhas medalhas. As cicatrizes escondo com a maquiagem importada que trouxe de Paris. E com os sorrisos que aprendi a dar nas aulas de teatro. O suor que escorre do meu rosto todos os dias, enxugo correndo para você não notar. Fica aí achando que minha vida é fácil, leve e divertida o tempo inteiro.

Acredite também que eu sou a melhor profissional da minha área. Sou eu que tenho as ideias mais legais, os projetos mais sensacionais e as sacadas mais interessantes. Não fiquei rica ainda, é claro, porque o mundo não enxergou todo o meu potencial.

Basicamente, escrever uma autobiografia é quase sempre ressaltar o nosso melhor. Coisa que, como você pode ver, eu não fiz por aqui. Enrolei, enrolei e não falei porcaria nenhuma. Mas pelo menos você já ficou sabendo duas coisas sobre mim: não me exponho fácil e escrevo sobre tudo. Às vezes até sobre o nada.

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